05/07/2022: Quebrada Jampamayo - Suyrucochapampa

A Quebrada Suyrucochapampa corresponde a um vale glaciar entre os nevados Jatunhuma (6093 m) e Huayruro Punco (5500 m). É um vale fechado ao fundo pelo imenso glaciar sudeste do Jatunhuma e a única forma de sair desse vale é cruzando um “paso” a incríveis 5425 metros de altitude, bem próximo do cume do Huayruro Punco.



Esse vale, até então, era desconhecido para mim, e seria uma caminhada dura para alcançar o “paso” carregado como eu estava. Havia bastante neve no Huayruro Punco e era preciso encontrar o caminho correto, dentre as diversas trilhas de vicunha que sobem as encostas íngremes desse vale. Esse não é um ‘paso” simples, como o Abra Jampa, e corresponde a uma passagem pela aresta do Huayruro Punco, onde suas vertentes são menos inclinadas. Sair no local errado da aresta pode significar chegar a um ponto onde é impossível descer pelo outro lado, devido à verticalidade da parede.



Resolvi tirar o dia para explorar o vale, tanto o caminho que dá acesso ao “paso”, quanto o glaciar localizado em sua cabeceira. Havia lido um relato do final da década de 1960 sobre uma travessia realizada pelo glaciar sudeste do Jatunhuma, desde a parte norte do nevado até o vale onde eu me encontrava. Se uma travessia semelhante continuasse sendo possível, e isso dependeria das condições do glaciar, esse seria o caminho mais curto para se chegar na parte norte da Laguna Sibinacocha e no glaciar sul do Nevado Chumpe (6106 m), onde eu pretendia realizar minha escalada.

Infelizmente, o retrocesso do glaciar impedia a progressão através dele, cuja entrada encontrava-se bloqueada por imensos “serács” (blocos de gelo). As encostas eram bastante íngremes, não permitindo seguir pelas “moraines” laterais no lado do Huayruro Punco. E no lado do Jatunhuma, ao regredir, o glaciar deixou exposto um setor quase vertical de rochas lisas, que também corta o acesso por essa parte.



Após essa ida ao glaciar, deixei a mochila junto ao rio, em um ponto já acima dos 5 mil metros, que escolhi para montar o acampamento, e subi sem peso as encostas do Huayruro Punco para identificar a melhor trilha rumo ao “paso”. Foi uma decisão acertada fazer isso sem a mochila, pois várias trilhas de vicunha, os camelídeos selvagens que vivem nessa região dos Andes e cruzam de um vale para outro por trechos às vezes impossíveis de caminhar, chegavam em setores desmoronados e perigosos. Encontrei a trilha correta, marquei bem a entrada e armei minha barraca para passar a noite.